Pais precisam ser amados, honrados e respeitados - é o que o senso comum diz, mas a recíproca também precisa ser verdadeira. Colocar os genitores como figuras de autoridade não significa necessariamente ignorar comportamentos nocivos, que abalam o seu psicológico a longo prazo.
Cada vez mais, crescem as discussões sobre pais narcisistas e relações tóxicas parentais. Ampliar esses debates não é uma tentativa de diminuir a importância dessas figuras na vida de qualquer pessoa, trata-se de um alerta.
Quando envelhecem, muitos pais lamentam que os filhos pouco ligam ou pouco frequentam sua casa, mas nem todos fazem autocrítica e buscam entender o que resultou neste cenário. Nem sempre é ingratidão! A seguir, confira 5 comportamentos que podem resultar em um afastamento do seu filho no futuro.
Imagine uma menina de 9 anos que tem que ouvir sobre os problemas financeiros da família ou os defeitos do pai ou da mãe - enquanto ninguém pergunta a ela como foi seu dia na escola. Essa criança carrega silenciosamente o peso de adultos que nunca realmente amadureceram.
Os psicólogos chamam isso de parentificação. É uma inversão de papeis, quando uma criança assume responsabilidades emocionais ou práticas de um adulto. A criança aprende que amor representa apenas cuidado, mas é essencial passar a lição de que também significa segurança.
Frases como "Não é tão ruim assim" e "Pare de ser dramático" são típicas de adultos que não entendem a importância de ajudar as crianças a entenderem os próprios sentimentos. Elas choravam e ouviam que precisavam ser fortes. A consequência é sempre querer esconder suas emoções ao invés de externá-las.
Emoções invalidadas não fazem com que elas desapareçam. A criança passa a se censurar e há até quem veja isso como uma qualidade, mas traz diversos danos à autoestima. Quando os pais dizem "Você nunca conversa com a gente", o que muitas vezes eles não percebem é esta verdade silenciosa: “você me ensinou que meus sentimentos eram demais, e agora você se surpreende que eu tenha parado de compartilhá-los com você”.
As crianças não podem ganhar apenas elogios quando fazem coisas boas e críticas severas ou silêncio absoluto se falham em algo. Isso passa a mensagem de que elas só são dignas de afeto e conexão quando são perfeitas. E ninguém é.
O amor condicional ensina uma lição perigosa: você só é valioso quando é útil. Esse discurso acompanha as pessoas em seus empregos, suas amizades, seus relacionamentos amorosos... Elas se doam demais, explicam demais, permanecem tempo demais em situações desconfortáveis.
Quando você planeja a vida do seu filho, pode parecer um cuidado, uma dedicação pensada para o futuro. Mas pode gerar uma grave crise de identidade: eles crescem sem saber do que gostam e com a sensação de que não vivem a própria vida.
Autonomia não é “deixar fazer tudo”; é dar espaço real de escolha dentro de limites. Em vez de “você vai fazer natação porque eu mandei”, experimente: “Você quer continuar na natação ou prefere pensar em outra atividade?”. Os pais são, sim, autoridade, mas nem todas as escolhas precisam partir deles.
“Meus pais não me conhecem de verdade” é uma resposta dolorosa, porém, muito comum em adultos que preferem se afastar dos pais. Muitas vezes, os genitores querem colocar os filhos em caixinhas e rótulos, sem o mínimo trabalho de entender se eles realmente pertencem àquele lugar.
Há cenários ainda piores, quando os interesses das crianças são ridicularizados ou ignorados. A escolha de se afastar desses pais também é importante para descobrir sua verdadeira personalidade, sem os moldes e imposições da casa de onde você veio.
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